Escara (lesão por pressão): como prevenir e como é o tratamento?

Resposta curta: Escara é como a maioria das pessoas chama a lesão por pressão: um dano na pele e no tecido de baixo, causado por pressão prolongada sobre um ponto do corpo, quase sempre em cima de um osso. A prevenção é diária — mudar de posição, deixar os calcanhares livres, cuidar da pele e da umidade. A ferida aberta é tratada pela enfermagem e pelo médico; a fisioterapia entra no alívio de pressão e na mobilidade.

Escara e lesão por pressão são a mesma coisa?

No uso do dia a dia, sim. O nome oficial passou a ser lesão por pressão com a classificação revista em 2016 pelo painel norte-americano de referência no tema, validada em português pelas sociedades brasileiras de estomaterapia e de enfermagem em dermatologia — é a que a Anvisa usa.

Há um detalhe curioso: no vocabulário técnico, “escara” é outra coisa. É o tecido morto, escuro e endurecido que pode cobrir uma ferida profunda. Ou seja, quando um profissional fala em escara no sentido técnico, a lesão já é avançada. Neste texto, uso a palavra no sentido popular.

Como reconhecer o começo de uma escara?

O primeiro estágio aparece com a pele ainda inteira: uma vermelhidão que não clareia quando você aperta de leve com o dedo. Mudança de temperatura, de sensibilidade ou endurecimento no local podem vir antes da cor — e em pele negra a vermelhidão pode nem ser visível, por isso esses outros sinais contam mais.

Depois disso a lesão abre: no estágio 2, a pele perde parte da espessura e pode formar bolha; nos estágios 3 e 4, a perda é total, chegando à gordura e, no mais grave, a músculo, tendão ou osso. Mancha roxa ou marrom que não clareia pode indicar dano profundo mesmo com a pele aparentemente intacta.

Os lugares mais comuns são os pontos de apoio sobre osso: fim da coluna, calcanhares, lateral do quadril, nuca, joelhos e cotovelos. E um que se esquece: a pele sob sonda, tubo ou tala, que a Anvisa manda olhar pelo menos duas vezes por dia.

Como prevenir escara em casa?

A Nota Técnica GVIMS/GGTES/Anvisa nº 05/2023 reúne as medidas. As que a família consegue fazer no dia a dia:

Mudar de posição em horário individualizado, definido com a equipe — e, de lado, na posição inclinada a 30°. Expliquei o passo a passo em mudança de decúbito.
Deixar os calcanhares livres, com um travesseiro sob a panturrilha.
Colchão adequado ao risco — a nota cita o viscoelástico e o de ar de pressão alternada; a escolha depende da avaliação.
Cuidar da pele: limpa, seca e hidratada todos os dias, sem massagear áreas avermelhadas; limpeza logo depois de urina ou fezes, sem sabonete alcalino, com produto de barreira quando indicado.
Comer e beber o suficiente: a nota pede triagem nutricional de quem tem risco — assunto para nutricionista e médico.
Sair da cama quando possível, sentado por períodos limitados, de cerca de uma hora, sem escorregar no assento.

Como é o tratamento quando a escara já abriu?

Ferida aberta pede avaliação de enfermagem — de preferência de quem trabalha com feridas — ou do médico. São eles que classificam o estágio, escolhem a cobertura e acompanham a evolução. Não vale aplicar pomada ou receita caseira por conta própria: o que serve para uma ferida pode atrasar outra.

Duas coisas continuam valendo durante o tratamento: a pessoa não deve ficar posicionada em cima da lesão, e o alívio de pressão segue sendo a base. É aí que a fisioterapia ajuda — posicionamento, transferência sem arrastar (o atrito e o cisalhamento pioram a pele), mobilidade e, quando a equipe libera, mais tempo fora da cama.

Quando procurar atendimento médico logo?

Alguns sinais não esperam a próxima consulta: febre, ferida com secreção ou cheiro forte, vermelhidão quente que se espalha em volta, dor que aumenta de repente, ou piora rápida do tamanho ou da cor. Podem indicar infecção e pedem avaliação médica no mesmo dia.

Também vale atenção a quem passou a comer e beber muito menos: o estado nutricional pesa na pele, e a queda costuma vir junto com outras mudanças que o médico precisa ver.

Dúvidas frequentes

Quanto tempo uma escara demora para fechar?

Não existe um prazo que valha para todos. Depende da profundidade, da saúde geral, da nutrição e de a pressão ser de fato aliviada. Quem acompanha a ferida é quem consegue dizer como ela está evoluindo.

Massagear a área vermelha ajuda a circulação?

Não. A Nota Técnica da Anvisa orienta hidratar a pele sem massagear osso saliente nem área avermelhada — a massagem ali pode piorar o dano.

A escara apareceu depois de uma internação. Dá para comunicar?

Dá. A Anvisa indica que pacientes e familiares podem notificar incidentes ligados à assistência pelo Notivisa, no módulo Cidadão, sem cadastro e com os dados de quem notifica mantidos em sigilo.

Fontes consultadas — conferidas quanto à vigência na data desta atualização:
Atendimento domiciliar em Brasília. Veja se a sua está entre as 19 regiões de Brasília atendidas. Não atendo o Distrito Federal inteiro, e prefiro dizer isso antes.

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